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IDÉIAS E ARTIGOS
Dez Mandamentos da Comunicação Ambiental
Por Vilmar Berna
A opinião pública está cada vez mais consciente e sensível às
questões ambientais e cobra das empresas, políticos e governos cada
vez maior responsabilidade ambiental. O resultado são leis e multas
cada vez mais rigorosas, podendo chegar facilmente a milhões de
reais, além da obrigação de reparar o dano. O papel dos
profissionais de comunicação e dos veículos nessa tomada de
consciência foi estratégico. Ao divulgarem as tragédias e acidentes
ambientais em todo o mundo, por exemplo, contribuíram para o
despertar de uma consciência ambiental que cada vez é mais crescente
e cuja tendência, ao contrário de diminuir de intensidade, como se
fosse um modismo passageiro, é de aumentar.
Às vezes, empresas e governos já mudaram de atitude e adotaram
políticas ambientais sérias, mas não investiram adequadamente na
divulgação de seus resultados e continuam sendo vistos como vilãos
do meio ambiente. Algumas empresas descobriram à duras penas que uma
política de comunicação ambiental pode ser tão importante para o
negócio quanto construir prédios ou instalar equipamentos, pois se a
opinião pública estiver contra, as dificuldades para licenciamento
de novas operações ou para a ampliação de instalações existentes, ou
mesmo para a aceitação de produtos pelos consumidores, será cada vez
maior.
1. A
comunicação ambiental, como qualquer atividade humana, não é neutra
- Trata-se de uma técnica, um instrumento, que tanto pode estar a
serviço de grupos e pessoas empenhadas sinceramente na defesa do
meio ambiente, quanto movidas por interesses individuais ou
corporativos que contratam profissionais para tentar passar uma
imagem de ambientalmente responsáveis. Diante da impossibilidade de
neutralidade, o profissional de comunicação ambiental precisa
balizar sua conduta por um código de ética ambiental, como, por
exemplo, o adotado pelo Jornal do Meio
Ambiente.
2. Direito e
dever de se comunicar
- As
organizações têm o direito e o dever de se comunicarem adequadamente
com o público interessado, informando sobre como estão cuidando do
meio ambiente. Ao fazerem isso, podem contribuir para a formação de
consciência ambiental na população e mesmo dar o exemplo para
outros, estimulando novos investimentos em meio ambiente, num efeito
cascata. Qualquer plano ou campanha de Comunicação Ambiental deve
estar baseado no desejo sincero em se comunicar francamente com seus
diversos públicos. Adotar o silêncio como estratégia para se
proteger de problemas, pode até dar certo em alguns casos, mas,
quando não dá, pode ser tarde demais ou custar muito mais caro ter
de corrigir boatos ou mentiras. Também deve-se evitar divulgar como
grande mérito ambiental ações e projetos que fazem parte das
obrigações legais ou de controle de poluição intrínsecos à própria
atividade poluidora, ou então, dar ênfase exagerada a investimentos
ambientais absolutamente desproporcionais com o que se retira da
natureza ou se provoca em degradação ambiental, sob pena de não se
conseguir agregar credibilidade à informação ambiental.
3. Um
profissional da comunicação ambiental não precisa necessariamente
ser ambientalista -
Ser
ambientalista é uma decisão cidadã que um profissional da
comunicação ambiental pode ter ou não. Melhor se tiver, pois o
planeta não é um enorme armazém de recursos infinitos, por um lado,
e uma enorme lixeira capaz de absorver indefinidamente os nossos
restos, por outro. O engajamento com a causa ambiental, neste caso,
não é do profissional de comunicação, mas do cidadão, e isso deve
estar claro para não transformar o resultado do trabalho em
panfletos ideológicos onde só importa a opinião de uma lado em
detrimento de outras opiniões.
4. Os limites da
comunicação Ambiental
- Só
democratizar a informação ambiental pode não ser suficiente para
produzir as mudanças necessárias de opinião. Não é pelo maior ou
menor volume de informações que a população aprende a pensar
criticamente e atuar em seu mundo para transformá-lo, se não tiver
uma cultura e uma formação que predisponha as pessoas a valorizar
esta informação. Sem isso, as pessoas vão pouco a pouco tornando-se
insensíveis diante da informação, como se fosse mais uma espécie de
poluição onde as palavras perdem o significado e importância, e
tanto faz saber que derrubaram uma árvore ou uma floresta. A simples
veiculação de informação ambiental desassociada de um compromisso
com a cidadania crítica e participativa como defende a educação
ambiental, ao contrário de estimular uma revisão de valores, pode
aumentar a velocidade do saque aos recursos do Planeta, uma espécie
de ética distorcida, como se a seleção natural das espécies
separasse o mundo em vencedores (desenvolvidos, países de primeiro
mundo) e perdedores (em desenvolvimento, sub-desenvolvidos, países
de segundo e terceiro mundo) onde apenas os mais aptos e espertos
sobrevivem, aqueles que chegaram primeiro e dispõem dos melhores
meios e tecnologias para retirar e utilizar com mais eficiência e
rapidez os recursos do Planeta, capitalizando lucros e socializando
prejuízos.
5. Adaptar o
‘ecologês’
- Não basta ter clareza do que precisa ser mudado a fim de conseguir
uma relação mais harmônica da espécie humana com as outras espécies
e o próprio planeta. É preciso sensibilizar e mobilizar a sociedade
em direção a esse mundo melhor, por isso, aqueles que se comunicam
com o público precisam falar uma linguagem que seja percebida por
todos. Se queremos a compreensão e a mobilização da sociedade para
os temas ecológicos, devemos adaptar o ecologês às carências da
nossa sociedade, partindo dos temas que a sociedade já domina e
conhece para os que precisa conhecer a fim de construir uma melhor
relação, mais harmônica, menos poluidora com seu meio ambiente e os
outros seres vivos do planeta.
6. A opinião pública não é
um livro em branco - Ao traçar uma política de
comunicação ambiental deve-se levar em conta que a opinião pública
já dispõe de informações ambientais, mas essas informações podem ser
negativas, incompletas, falsas, preconceituosas, tendenciosas. Nem
toda a informação ou o melhor plano de comunicação ambiental do
mundo irá convencer ou sensibilizar quem não quer ser convencido nem
sensibilizado. Por isso, uma política de comunicação ambiental nunca
parte do zero, mas precisa pesquisar a percepção que os diferentes
públicos já possuem e, a partir daí, estabelecer uma estratégia para
identificar quais os públicos são os mais prioritários, que tipo de
mensagem e linguagem serão mais apropriados, que veículos deverão
ser empregados, que campanhas devem ser prioritárias. A cada
período, uma nova pesquisa deve ser efetivada a fim de avaliar se a
política de comunicação está sendo eficaz, redefinindo prioridades e
aprendendo com os erros.
7. A
verdade como melhor estratégia
- O melhor
antídoto para a desconfiança do público é a verdade, com a
circulação de documentos e informações específicas para este público
e identificação de parceiros para projetos. Pode-se ainda promover
visitas desse público ao empreendimento e palestras de especialistas
independentes, cujas posições, apesar de críticas em relação ao
empreendimento, mantêm abertas as portas ao diálogo e aprovam o
empreendimento, embora com restrições e exigências, o que é melhor
que posições absolutamente contrárias, que não favorecem o diálogo
ou provocam um clima de confronto da comunidade com a empresa.
8. Os papéis das
mídias
– Ao traçar planos de mídia para a área ambiental é importante que
os profissionais de comunicação compreendam o papel complementar da
chamada Grande Mídia e das mídias especializadas em meio ambiente, a
fim de evitar o desperdício de informação e de recursos, e obterem
melhores resultados junto ao segmento da opinião pública que
realmente se interessa e leva em conta a informação ambiental. A
Grande Mídia precisa atender um público diferenciado que está
interessado em diversos assuntos, e isso inclui muitos mais temas
que só o ambiental. Já a mídia ambiental também aborda diversos
temas, mas todos interligados direta ou indiretamente à questão
ambiental, tornando-se uma referência natural para quem busca
informações ambientais.
9. O todo em vez
das partes
- É importante adotar um Plano de Comunicação de forma sistêmica, ou
seja, envolvendo a todos e não apenas um de seus setores, pois não
adianta um setor para preservar e criar uma imagem de compromisso
com o meio ambiente, se outros setores contribuem para a imagem de
poluição e degradação ambiental. Por exemplo, tão importante quanto
a atuação coordenada dos setores de relações públicas, assessoria de
imprensa, publicidade e propaganda, é a atuação de setores como de
controle e monitoramento ambiental, engenharia de produção, etc.
10. Comunicação
em mão dupla
– O diálogo tem a função de reconciliar posições conflitantes, sendo
mais eficaz que a imposição e o controle. Ao criar canais de
negociação, como Conselhos Comunitários ou Auditorias Ambientais
Não-Governamentais, as organizações permitem que os tomadores de
decisão se antecipem a problemas ou adotem novos procedimentos no
seu gerenciamento e atividades ambientais. As análises e decisões
sobre os problemas, quando tomadas em conjunto, estimulam o
envolvimento e comprometimento de todos nas soluções adotadas.
(Texto Adaptado
do Jornal do Meio Ambiente -
http://www.jornaldomeioambiente.com.br)
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